Quando entro em meu sertão…

Quando entro em meu sertão
de manhã logo bem cedo
fecho os olhos sem ter medo
e respiro a vastidão…
O silêncio me conforta
e quem canta diz aonde
canta alto e não se esconde
pra dizer que não tem porta.
E fazendo-se de morta
a capoeira adormece
com seus galhos levantados
como dedos bem postados
qual mãos juntas pr’uma prece.
E por vezes bem carece
uma neblina miudinha
ou sereno na noitinha
quando a chuva lhe esquece.
Mesmo assim inda se posta
paciente de esperança
só vivendo de lembrança
se fazendo ali de morta.
Quando a chuva se apresenta
ela acorda de repente
e o sol olha de frente
se levanta e desentorta.
Soerguida e opulenta
no frescor das tardes claras
com riqueza se prepara
com mais cor se apresenta.
A dizer pro mundo infindo
que o furor de sua saga
é viver que não se acaba
quando a flor vai se abrindo.
Outra vez o sol lhe corta
inclemente não se importa
lhe fazendo adormecer
mais um tempo de esperança
vai vivendo de lembrança
se fazendo ali de morta
pra de novo renascer.
Foto: marcodiaurélio









 