Tesouros do Cariri 7

O que não vemos é porque está encantado.
Mas, quando se canta, e quando se canta desse jeito,
o encantado se encanta de novo, e só vai aparecer
quando toca o fundo do coração de quem ouve.
Quando escuto a voz de Sandra Belê acompanhada pelas
cordas de Romério Zeferino, mesmo com os olhos
abertos não consigo decifrar o que vejo.
Viro um sertão de silêncio, um açude com sede d’água,
um passarinho sem penas com o bico aberto a receber
poesia. Viro folha dançando os acordes, pendendo em
sorrisos de verde dobrar.
Viro vento correndo miúdo, quebrando gravetos
pra me arrepiar. Viro aroeira, jurema, facheiro,
até me vestir de tudo que há.
Este é o sétimo número da série “Tesouros do Cariri”.
Realizar registros como esse, me faz sentir aquilo
que realmente somos: filhos da terra, terra de um
eito de histórias, terreiro de sentimentos, solfejos
de glórias, valores que brotam sob o azul de nosso
céu nordestino. Destino de todos nós alimentados de
cantigas, prosas e poesias.
Tesouros do Cariri.
Um reino feito de gente, de gente ouvida por nós.
fotografia: marcodiaurélio
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