Janeiro 6, 2012

Sentidos…

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Viver,
não é cobrar sentido,
mas é sentir efeito.

Morrer,
não é se sentir desfeito,
mas sim,
não ter mais sentido.

Falar da morte
é ter muita vida,
é brincar de sorte,
é burlar a lida,
é criar em vida
a noção do corte.

Falar da vida
é prever a morte,
é tirar-lhe o norte,
é dobrar esquina,
é podar o broto
na parte mais fina.

Regar o tempo
é lhe dar medida,
sem plantar problema,
sem o fim da trena
que lhe finde a vida.

Perguntar do hoje
é querer demais,
desejar espaço
é cobrar abraço
sem que haja corpo,
pois quem não é morto
pode olhar pra trás.


foto: marcodiaurélio



Novembro 30, 2011

Doce visita…

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Visita de paz
de pluma e pena
raiar de sol
manhã amena
serena luz
em dedos leves
momentos breves
em prima cena.

Foto:marcodiaurélio



Novembro 25, 2011

VI Semana PPLP

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A VI Semana PPLP, promovida pelo Programa de
Pesquisa em Literatura Popular da Universidade
Federal da Paraíba, teve seu encerramento com
excelente aproveitamento nas oficinas de Cordel
com Marco di Aurélio, e com Marcelo Soares
realizando uma oficina de Xilogravura.

Os participantes sairam encantados, nos deixando
mais encantados ainda com o aproveitamento que
alcançaram.

Viva a Literatura de Cordel e a Poesia Nordestina!

Fotografias: Marco di Aurélio e Roseli Ferreira

 

 



Novembro 16, 2011

Como te vejo…

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Te vejo
como o céu vê a terra,
com serras que se mostram
nas cores florescentes,
com grutas que escondem
os segredos dos cristais.

Te vejo
nas marcas indeléveis da escrita,
na paixão da letra que se troca
no horizonte das cercas que o limitam.

Te vejo
como vejo o mundo e a hora,
sem tempo de razão que se explora,
sem fato de criar-se um novo mito.

Te vejo
numa voz que é o próprio grito,
no desejo que todo o universo
te ame como ama-se as estrelas,
e ao fim, bem assim por bem querê-las,
te vejo no sol de toda aurora,
me perco sem ter rumo em tantos versos,
perdido sem o tempo e suas horas.

foto:marcodiaurélio



Novembro 9, 2011

Sala de Reboco, com Amazan

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Ontem, dia 9, gravamos o programa “Sala de Reboco”
com Amazan.Casa cheia se deliciando com a presença
vigorosa de Irah Caldeira,os repentes do poeta
Feitosa Nunes, e a poesia sertaneja que venho defendendo.
Mais um canal de propagação de nossa cultura
em fortalecimento à nossa estima.

foto: Roseli Ferreira



Novembro 4, 2011

Como é grande o poder da natureza…

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Na vereda da vida que eu venho
tantas léguas tiranas já andei
quanto mais conheço inda não sei
dessa roda que roda esse engenho
quanto mais nesse mundo me embrenho
eu descubro o primado da beleza
que aos poucos esqueço da tristeza
ao saber que nascendo nordestino
uma estrela escolheu o meu destino
quanto é grande o poder da natureza.

Se no mundo existir uma outra vida
que tal vida se faça o mesmo fim
eu desejo essa mesma vida em mim
como a luz num espelho refletida
minha história eu desejo repetida
como o sol se repete em realeza
renovado eu serei outra proeza
rebentando de novo no sertão
encourado em perneira e em gibão
como é grande o poder da natureza.

Foto: marcodiaurélio



Outubro 12, 2011

Armorial Cordas de Caroá/CNEA 2011

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O Armorial Cordas de Caroá teve a honra de
abrir o II Congresso Nacional de Educação
Ambiental em João Pessoa-PB, que vai de 12
a 15 de outubro, no Campus da UFPB.
Conjuntamente com o IV Encontro Nordestino
de Biogeografia, o encontro vem se consolidando
sob a organização da GS-Consultoria.

Fotos: Roseli Ferreira



Setembro 12, 2011

É Vereda…

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É vereda
é caminho
estrada d’água e sertão

foi leito para descanso
dos cabras de Lampião.

Caminho d’água
corrente
quando chove e dá trovão

e também guarda semente
gavetas de areia-chão.

Vereda
de esperança
guiando quem se perdeu

moringa, sal e sustança
pra quem inda não morreu.

Caminho
limpo e macio
pros pés descalços do mundo

correio dos desvalidos
socorro pros moribundos.

Tenência
grito vazio
oiças acesas de tino

pisando leve no solo
pra não perder o destino.

É vereda
é vazão
tanto pra vida, ou pra morte

fazendo a linha em seu leito
pros riscos fundos da sorte.

Foto: marcodiaurélio



Julho 13, 2011

Sarau na Estação Ciência…

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Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes
O Projeto Estação Poética me deu a honra e o
espaço para apresentação de meus trabalhos nesta
noite, 13 de julho, com um público considerável.

Fui acompanhado pelo musicista Roberto Araújo, e
o percussionista Beto Lucena. Valeu!

Foto: Roseli Ferreira



Julho 12, 2011

Cordel na Escola…

 

Ary Prata é professor e tem se ocupado em pesquisar
a contextualização do livro didático nas escolas do
semiárido, e também o uso da Literatura de Cordel no
fazer pedagógico.

Tal provocação me fez realizar perguntas, obtendo
as seguintes respostas:

Como, quando e onde se deu seu
envolvimento com a cultura popular?

Nascido na terra de Pinto do Monteiro
e vivendo toda a vida na Prata, município
que compõe o que podemos chamar de “eixo
da poesia popular” (cidades circunvizinhas
conhecidas pelo seu potencial poético),
minha relação com esta cultura remete a
adolescência e as muitas oportunidades
que tive de ver e acompanhar o trabalho
de grandes mestres da poesia popular.
Tentando imitar os cantadores de viola,
comecei a escrever os primeiros versos
na escola, continuando até chegar à
universidade, ocasião em que participei
de dois livros e, a partir daí, nunca
mais parei de escrever poesia nem de me
integrar às vertentes culturais do nosso
povo. Foi também durante a academia que
comecei a participar de projetos musicais
e passei a fomentar nas escolas e nas
comunidades, a preservação da nossa
identidade cultural e poética.

Qual o sentimento que lhe envolve quando
partícipe de tais manifestações?

Participar das manifestações culturais
populares e envolver-se nesta diversidade
de cultura em que o cariri paraibano está
imerso, preenche meu espírito e me aproxima
cada vez mais das minhas raízes. É como
olhar para uma velha estrada e reconhecer
nela, o mapa para um tesouro, escutar nas
madrugadas silenciosas, os murmúrios da
nossa história. Estes são sentimentos
compartilhados por todos que se entregam
de espírito ao chamado da cultura.

Qual o nível de importância de tais eventos?

A cultura local de um povo é a sua identidade
perante o mundo. Entender nossa cultura é
entender nossa essência, é o que nos torna
vivos… Pessoas que reconhecem sua cultura
tornam-se pessoas felizes e pessoas felizes…
São pessoas livres! Assim, as manifestações
da nossa cultura popular livre nos ajudam a
resgatar nossa definição perante os povos,
a reaproximar a juventude de suas raízes e
recriar a concepção sobre nosso papel perante
uma sociedade mais justa, consciente e liberta.

Como a cultura popular poderia ser
empregada em prol de todos?

A cultura popular, antes de tudo, representa
um sentimento nativo compartilhado por uma
coletividade. Suas manifestações, seja na
música, na dança, no teatro, na literatura
ou na poesia, representam algo próprio e
apreciado por todos. Esta identificação
cultural comum, compartilhada por uma
coletividade, se unida às novas práticas
e tendências, em especial, à educação, pode
render grandes frutos no desenvolvimento
educacional de jovens e adultos. Um bom
exemplo do que estou descrevendo pode ser
reconhecido no Cordel e seu uso nas salas
de aula do semiárido nordestino. O uso da
poesia popular retratada no cordel consegue
atrair os estudantes e servir de ferramenta
de auxilio na prática docente. É a nossa
cultura popular pura, do nosso povo,
servindo para educar o nosso povo.

Por que os meios acadêmicos não conseguem
explicar o que é cultura popular?

O próprio termo “cultura” e seu significado
ainda causa acalorados debates no seio da
academia. A definição de “cultura popular”
então, esbarra num turbilhão de interrogações
e espanto que se preocupa mais em encontra
uma definição teórica que trazer e usar
suas riquezas dentro das universidades.
Os pesquisadores tendem a se preocupar em
encontrar definições cientificas e esquecem
que a beleza da cultura popular é a sua
subjetividade e sua característica própria
de recrutar pessoas diferentes reunidas
pela arte. As academias, em minha opinião,
não deveriam se preocupar em encontrar uma
fórmula científica que descrevesse a cultura
popular, deveriam sim, aproveitar a influencia
que a cultura exerce sobre as pessoas,
canalizando seus benefícios em prol do saber
universal.



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