Vaqueiro Aboiador…

Â
Mais um vaqueiro se vai
mais uma voz que se cala
mais uma trilha em silêncio
em que a poeira se embala
e o sertão fica mudo
e quem pensar saber tudo
é quem não sabe a escala.
Aboio que já foi voz
aboio que vira vento
aboio que diz de nós
aboio de sentimento.
Aboio bem aboiado
da cela de um cavalo
aboio que rasga o tempo
aboio que vira estalo
aboio que encanta o dono
que quando sonha sem sono
diz-se ser rei e vassalo.
O vaqueiro de quem falo
há de surgir em folheto
o cavaleiro e o cavalo
no mais perfeito dueto
montava seu Cravo Branco
vencia qualquer barranco
e sua graça: Zé Preto.
Partiu sozinho pro céu
foi-se encontrar com a tropa
montar outro Cravo Branco
vestido cheio de opa
tirando de seu bornal
um aboio angelical
que agora no céu galopa.
Zé Preto  *15.05.1926  + 23.03.2010
foto: marcodiaurélio